Relembrando o passado, podemos entender como chegamos até aqui. E também podemos pensar como podemos melhorar nosso futuro.
Quando falo do passado, me refiro a sete anos atrás, quando descobri a noite de São Paulo. Meu primeiro contato foi a Level, antiga casa noturna que reinou por três anos e meu primeiro contato com tudo que constitui a noite paulistana.
Acho que cabe aqui um pequeno descritivo do que era a noite de São Paulo naquela época, pois muitas pessoas que conheço hoje em dia nunca conheceram a Level. Algumas, nunca ouviram falar.
A Level ficava na Av. Marquês de São Vicente, mais certo dizer numa travessa da mesma. Na esquina ficava uma padaria onde o povo costumava comprar bebidas, cigarros, chicletes e por aí vai. Nos arredores da casa você sempre podia pegar um flyer e pagar mais barato, R$ 17 na época de seu fechamento. E todos entravam com flyers. A casa tinha uma maior preocupação em encher a casa do que com o preço da entrada propriamente dito. Só não ganhava o desconto do flyer quem não quisesse, pois os mesmos eram fartamente distribuídos logo na entrada.
O lugar era totalmente fechado. A pista não era grande. The Week, Flexx e Megga possuem pistas bem maiores. Não havia área externa. Os banheiros eram pequenos, mas davam conta do recado. Afinal, a casa não suportava tanta gente, mas por outro lado eram poucas as mulheres e heteros que marcavam presença numa casa GLS em 2003.
A pista, meio arredondada, tomava conta da parte central. De um lado ficava a chapelaria e os caixas, onde você podia comprar fichas para água, cerveja etc. Do lado oposto, ficava o bar, que geralmente era bem tranquilo. Não haviam problemas com o pessoal do bar, pois não havia como eles marcarem valores a mais. E nem problemas com perda de comandas. Por outro lado, isso limitava o lucro da casa.
Um mezanino tomava conta da parte superior da pista. Uma parte dele ficava reservada como camarote VIP. Haviam alguns sofás para os mais cansados e podia-se ver toda a pista, o que auxiliava na procura de alguém. O acesso ao mezanino não era restrito. De um lado do mezanino haviam jogos eletrônicos e, acreditem, algumas pessoas passavam o tempo jogando.
Dançar e paquerar sempre foi o forte do pessoal. A colocação era o secundário. Os seguranças sempre estavam de olho, assim como alguns policiais à paisana. Quem passava mal, era posto para fora da casa, uma vez que a mesma não possuía enfermaria. Raramente ouvia-se falar que alguém foi roubado.
As pessoas interagiam mais. O carão existia, mas não era tanto. O povo estava afim de beijar e sair com alguém para um bom sexo. A azaração corria solta, só não beijava na boca quem não queria. Muita gente bonita por todos os lados.
Durante a noite haviam algumas intervenções. A música parava e começava um show de drag queens, que dublavam algum sucesso do momento. Logicamente, isso quebrava totalmente o ritmo da noite. E ninguém gostava muito dos shows. O palco ficava de um lado da pista, enquanto do outro ficava a cabine do DJ. No palco, os gogo-boys faziam sua performance.
O espaço era mais democrático. Sempre haviam os VIPs, mas ninguém se sentia melhor do que ninguém. VIPs nunca davam uma de superiores. As pessoas conversavam mais, faziam-se mais amizades. Travas não arrumavam brigas. Aliás, nunca presenciei uma briga dentro da casa.
O clube simples, porém escuro, demais até. Sufocante às vezes, no verão chegava a ser insuportável. Porém você estava protegido da chuva e lama. As músicas repetiam-se semana após semana, a menos que aparecesse alguma novidade. Um som mais parecido com o da Blue Space, onde o povo todo sabia a letra e cantava durante a jogação. Parecia que os DJs não eram estimulados a se atualizarem. CDs com os maiores hits eram vendidos nos caixas por R$ 10.
Por volta das oito, nove da manhã, o som acabava. O after era no DEdge e sempre estava tranquilo. A maioria das pessoas preferia ir para casa descansar.
E, como todas as casas, a Level teve seus momentos bons e ruins. Assim como toda casa. E é bom relembrar os bons momentos, sejam os da semana passada, do ano passado, ou de anos atrás.
Quando falo do passado, me refiro a sete anos atrás, quando descobri a noite de São Paulo. Meu primeiro contato foi a Level, antiga casa noturna que reinou por três anos e meu primeiro contato com tudo que constitui a noite paulistana.
Acho que cabe aqui um pequeno descritivo do que era a noite de São Paulo naquela época, pois muitas pessoas que conheço hoje em dia nunca conheceram a Level. Algumas, nunca ouviram falar.
A Level ficava na Av. Marquês de São Vicente, mais certo dizer numa travessa da mesma. Na esquina ficava uma padaria onde o povo costumava comprar bebidas, cigarros, chicletes e por aí vai. Nos arredores da casa você sempre podia pegar um flyer e pagar mais barato, R$ 17 na época de seu fechamento. E todos entravam com flyers. A casa tinha uma maior preocupação em encher a casa do que com o preço da entrada propriamente dito. Só não ganhava o desconto do flyer quem não quisesse, pois os mesmos eram fartamente distribuídos logo na entrada.
O lugar era totalmente fechado. A pista não era grande. The Week, Flexx e Megga possuem pistas bem maiores. Não havia área externa. Os banheiros eram pequenos, mas davam conta do recado. Afinal, a casa não suportava tanta gente, mas por outro lado eram poucas as mulheres e heteros que marcavam presença numa casa GLS em 2003.
A pista, meio arredondada, tomava conta da parte central. De um lado ficava a chapelaria e os caixas, onde você podia comprar fichas para água, cerveja etc. Do lado oposto, ficava o bar, que geralmente era bem tranquilo. Não haviam problemas com o pessoal do bar, pois não havia como eles marcarem valores a mais. E nem problemas com perda de comandas. Por outro lado, isso limitava o lucro da casa.
Um mezanino tomava conta da parte superior da pista. Uma parte dele ficava reservada como camarote VIP. Haviam alguns sofás para os mais cansados e podia-se ver toda a pista, o que auxiliava na procura de alguém. O acesso ao mezanino não era restrito. De um lado do mezanino haviam jogos eletrônicos e, acreditem, algumas pessoas passavam o tempo jogando.
Dançar e paquerar sempre foi o forte do pessoal. A colocação era o secundário. Os seguranças sempre estavam de olho, assim como alguns policiais à paisana. Quem passava mal, era posto para fora da casa, uma vez que a mesma não possuía enfermaria. Raramente ouvia-se falar que alguém foi roubado.
As pessoas interagiam mais. O carão existia, mas não era tanto. O povo estava afim de beijar e sair com alguém para um bom sexo. A azaração corria solta, só não beijava na boca quem não queria. Muita gente bonita por todos os lados.
Durante a noite haviam algumas intervenções. A música parava e começava um show de drag queens, que dublavam algum sucesso do momento. Logicamente, isso quebrava totalmente o ritmo da noite. E ninguém gostava muito dos shows. O palco ficava de um lado da pista, enquanto do outro ficava a cabine do DJ. No palco, os gogo-boys faziam sua performance.
O espaço era mais democrático. Sempre haviam os VIPs, mas ninguém se sentia melhor do que ninguém. VIPs nunca davam uma de superiores. As pessoas conversavam mais, faziam-se mais amizades. Travas não arrumavam brigas. Aliás, nunca presenciei uma briga dentro da casa.
O clube simples, porém escuro, demais até. Sufocante às vezes, no verão chegava a ser insuportável. Porém você estava protegido da chuva e lama. As músicas repetiam-se semana após semana, a menos que aparecesse alguma novidade. Um som mais parecido com o da Blue Space, onde o povo todo sabia a letra e cantava durante a jogação. Parecia que os DJs não eram estimulados a se atualizarem. CDs com os maiores hits eram vendidos nos caixas por R$ 10.
Por volta das oito, nove da manhã, o som acabava. O after era no DEdge e sempre estava tranquilo. A maioria das pessoas preferia ir para casa descansar.
E, como todas as casas, a Level teve seus momentos bons e ruins. Assim como toda casa. E é bom relembrar os bons momentos, sejam os da semana passada, do ano passado, ou de anos atrás.