quinta-feira, 17 de junho de 2010

SEJA CONTRA, MAS SEJA EDUCADO

Hoje em dia a Copa do Mundo de Futebol, organizada a 4 anos pela FIFA, tornou-se um dos eventos esportivos de maior importância no mundo. Cada vez mais países mostram-se interessados em participar. Fiquei sabendo por amigos que moram nos EUA que nunca os americanos entraram tanto no clima como nesta Copa.

Assim como existem pessoas que aguardam ansiosamente por uma Copa do Mundo, enfeitam casas, usam camisa da seleção e compram bandeiras, existe uma parcela que é totalmente aversa a idéia. Um amigo no Facebook até fez o (infeliz) comentário de que tudo não passa de uma alienação.

Eu adoro Copa do Mundo e nem por isso sou alienado. Sou Palmeirense, mas não acompanho todas as partidas. Assisto uma ou outra, quando não existem outras prioridades.

Culturalmente, valoriza-se muito o futebol no Brasil. É o "circo" do pobre, mesmo que este não possua o "pão". É o que ajuda o povo esquecer um pouco as argúrias da vida, é divertimento popular, é alegria.

Muitos dizem que brasileiro só é patriota em época de Copa. Bom, digo que não existe cidadão, não importa de qual país, que seja patriota em tempo integral. Alemães sentem vergonha pelo holocausto, Americanos nem gostam de ser lembrados das cagadas do Bush e por aí vai. Ser patriota consiste não em amar o país em sua forma política, mas amar o país em sua forma cultural. Eu sinto orgulho do Brasil em alguns aspectos assim como tenho vergonha em outros. E se muitos somente são patriotas em época de Copa do Mundo, é porque temos orgulhos de nossa capacidade. Devemos ter orgulhos de nossas virtudes e sermos humildes nos nossos erros. Isso sim é ser patriota. Acredito que a maioria das pessoas pensa assim, então acho simplória a afirmação que brasileiro só é patriota em Copa. A maioria é patriota, o ano todo, em maior ou menor grau.

Sobre a "alienação", acho que não é algo generalizado. Um país parar para assistir um jogo não é exclusivo de brasileiros. Na Inglaterra, Alemanha, Argentina e outros ocorre o mesmo. A Copa é importante para eles assim como é para nosso povo. É parte de nossa cultura. Alienados são na verdade aqueles que, por exemplo, indolatram a Lady Gaga por qualquer merda que ela faz. Alienado é aquele que defende uma balada que já não é mais tão boa, xingando em blog qualquer um que discorde. Alienados são aqueles em que o mundo se resume a balada, colocação, pegação, aparência deixando carreira, relacionamentos e até a saúde em segundo plano.

Se o Brasil pára para assistir ao jogo da seleção na Copa do Mundo, isso é motivo de patriotismo, de alegria. Devemos sim ter orgulho da seleção, do crescimento econômico, da alegria do nosso povo, da beleza do nosso Carnaval, da beleza do nosso povo. Temos muitos defeitos, mas ficar focando somente neles é ter uma visão pessimista em tempo integral. A vida não é perfeita, nem no Brasil, nem em qualquer país.

Quem não gosta de Copa, de futebol, seja por causa do destaque execessivo na mídia, dos incansáveis comerciais na TV ou pela bagunça, tem todo direito de reclamar. Mas acho que respeitar a paixão dos outros é essencial para uma boa convivência. Não estou pedindo para gostar, estou pedindo para compreender, entender as pessoas antes de rotular de "falso patriota" ou "alienado".
 
E se tudo não está bem no dito País do Futebol, o que podemos fazer é curtir a festa (com responsabilidade) e, após a Copa, pensarmos bem em que vamos votar na eleições. Patriotismo se exerce também nas urnas.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

CHEGA OU AINDA QUEREM MAIS?

Lógico que eu ia assistir "Sex and The City 2". Vocês acham que não? Eu adorava o seriado, apesar de achar uma tremenda palhaçada viado dizer que quem é gay é obrigado a gostar do seriado. FAÇA-ME O FAVOR! Detesto quem tem mente pequena e quer padronizar todo mundo.

"Sex and The City 2" provocou uma dualidade na minha cabeça. Ele consegue ir da estratosfera até as profundezas abissais. Conseguiu despertar amor e ódio.

A série deixou um buraco na vida de muita gente. Assistir ao filme pareceu uma reunião com velhas amigas para colocar o assunto em dia. Bem, é disso que o filme trata, reunindo todas em uma grande viagem até Abu Dhabi.

Este é o problema. Das quatro, três estão casadas. E justamente a graça do seriado eram os encontros e desencontros de quatro solteiras em Nova York, cada uma com suas características. Esse revival das quatro amigas em Abu Dhabi tem seus momentos interessantes. O roteiro, com mestria, soube encaixar situações de mulheres casadas com os personagens (somente com Miranda a coisa não funciona, o personagem ficou por demais apagado). Soube explorar também a preocupação com envelhecimento (Samantha, como sempre, rende as melhores piadas). As piadas estão fantásticas (fora a cena ridícula do Karaokê, totalmente dispensável).

O quê há de errado então com o filme? Ele soa datado. Incrivelmente datado. Soa como velho, parece querer dar continuidade a algo que devia ter sido encerrado há algum tempo atrás. O luxo e exuberância não são mais os mesmos, a jovialidade ficou para trás com o envelhecimento das atrizes. O tom ficou mais sério e apesar dos dramas terem sido bem aproveitados, não parece mais "Sex And The City".

Fiquei com essa dualidade. O filme é bom ou ruim? O filme consegue ser incrivelmente fantástico e incrivelmente péssimo ao mesmo tempo! Eu gostei? Adorei! Só que ao mesmo tempo tive a impressão que era "mais do mesmo", igual a qualquer comédia romântica com a única diferença que eu já tinha me afeiçoado aos personagens a muito tempo atrás.

E não é à toa que os gays se identifiquem tanto. Carrie é o gay que não sabe o que quer, quer as maravilhas de ser casado e o lado bom de ser solteiro e independente. Ou seja, não quer compromisso. Samantha é a "bunita" que quer ser puta, sair catando todo mundo, mas se desespera ao perceber que está virando "tiozão". Miranda é a biba ranheta, nada está bom, não gosta de boite, de sauna, de barzinho, de internet e ainda assim que encontrar alguém. Charlotte é o viado que ainda acredita em príncipe encantado e a cada namorico que não dá certo cai em depressão.

Mas o importante é aproveitar. "Sex And The City 2" deve ser visto como boa diversão e somente isso. Nada de achar que é "o filme do ano". Limitar-se a isso é limitar sua visão do mundo e seu modo de pensar. Existe vida pós Carrie Bradshaw.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A QUESTÃO DO NAMORO

Dia dos namorados. Data querida por alguns, triste para outros e indiferente para muitos. E ao mesmo tempo que a homossexualidade permite um grau maior de liberdade, também dificulta na hora de relacionar-se com alguém. Principalmente em Sampa.

Já não era a primeira vez que eu digo que o povo não quer nada com nada. Um dos motivos seria devido à grande oferta. E de qualidade. A fartura de homens bonitos (ou como minha mãe diria, "bem-apessoados") é tanta que parece que o pessoal nem se preocupa em manter algo sério com alguém. Existe quantidade com qualidade e todos querem pegar todos. Uma putaria geral!

Mas outro fator que quero contabilizar também é a liberdade que temos. Liberdade pelo fato de gay não constituir família. Desse modo, sente-se livre para esbaldar-se em festas e mais festas, durante o ano todo. Já falei uma vez que ser gay é viver uma adolescência estendida. E como todo adolescente, a máxima é pegar o máximo de caras possível. Por quê contentar-se com apenas um?

O resultado é que muitos colocam o namoro em segundo plano. Enquanto há saúde, o melhor é aproveitar. Não se dá o real valor ao namoro. As pessoas fogem a qualquer sinal de envolvimento. E quando há o envolvimento, desiste-se ao primeiro sinal de algo errado. Ninguém tem o incentivo de investir, dialogar, tentar consertar o quê está errado. Ninguém cede, então ninguém muda. "Para quê vou mudar? Tem tanto cara gostoso dando sopa aí!", é o primeiro pensamento.

Ao mesmo tempo, muitos vivem em depressão, pois estão sozinhos. Reclamam e reclamam, mas nunca estão disposto a tentar mudar seus conceitos, a dialogar, a acreditar. Como já disse em outros posts, logo chegam a situação dos chamados tiozões da balada, que apesar de bonitos e sarados estão sozinhos. Viram "veteranos" da balada, sempre ficando com todos, mas no fim permanecendo sozinhos.

Chega um momento que devemos tomar uma decisão: se queremos mesmo namorar. Existem pessoas que nasceram para serem solteiros, que não se sentem bem com alguém. Outros, como eu, precisam de alguém ao lado para dividir momentos bons e ruins (e felizmente, encontrei alguém!). Porém, não há como querer viver como adolescente e ter algo sério com alguém. Chega um momento em que você precisa rever seus conceitos e crescer. O momento em que você precisa domar seu ego, aceitar que tem erros e as pessoas também. Perceber que chega está na hora de parar de se exibir encima do queijinho da boite. Você pode até ser desejado, mas nunca será levado a sério.

Aos solteiros, aos casados, aos enrrolados, aos esperançosos...Feliz Dia dos Namorados.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

DESABAFO ABERTO

Após os últimos comentários que ouvi sobre as festas da Parada de 2010 e a quantidade menor de turistas, comecei a refletir e cheguei a seguinte pergunta: estaria São Paulo perdendo o brilho?

Primeiramente, São Paulo ainda possui a melhor noite do Brasil, GLBT ou não. FATO!!! Entretanto, sabemos que, em se tratando de noite GLBT, a concorrência é feroz. O mercado é menor, porém possui alto poder aquisitivo. É um negócio arriscado, porém que rende muitos bons frutos para quem conseguir entender a cabeça do seu público-alvo.

Entretanto, há alguns anos, diria que pelo menos a uns três anos, todos reclamam da mesmice. A mesmice da noite: as mesmas pessoas, mesma balada, mesmas músicas. Sim, todo final de semana é uma grande festa, mas parece que o padrão de qualidade ficou alto demais. Resultado: o público ficou mal-acostumado com tanto luxo. Somando-se a isso a natureza humana de que quanto mais se tem, mais se quer, chega-se a conclusão que o público está querendo mais do que os clubes/festas podem oferecer.

Opções surgiram. Cenários menores e mais intimistas saboreiam uma parte do sucesso. Entretanto, falta algo novo, grandioso. Há três anos que esse "algo" está ausente. As pessoas que frequentam continuarão as mesmas, em sua maioria, salvo aquelas que decidem abandonar o ritmo baladeiro e os novos ingressos nesse universo. As músicas continuam o mesmo feijão com arroz, talvez porque os DJs tenha receio de arriscar ou o público ser muito limitado e não querer outro coisa além do "feijão com arroz" usual. Mas a necessidade de um ambiente novo, de atrações diferentes, nunca foi tão forte. Talvez a falta de quorum nas últimas festas, seja por conta da falta de turistas ou pela ausência dos próprios paulistanos, seja indicativo de que algo não está tão certo como antes.

Fica a impressão que não existe mais nada a se oferecer. Seria uma crise de criatividade? Hoje todos querem seguir o padrão do luxo, outros querem melhorá-lo ou adicionar um ingrediente exclusivo que fará a diferença. Até onde vejo ninguém conseguiu ainda igualar o padrão vigente. E a própria criadora parece ter esgotado suas possibilidades. Ela sempre conseguiu se superar, porém parece que agora ela chegou a um ponto onde talvez não haja mais nada para superar. O céu é o limite, correto, mas o saldo na conta bancária também.

E agora? Acostumou-se o público com caviar, mas parece que ele quer mais ainda. Enjoado da iguaria, ele deseja algo novo, algo que sequer foi inventado. Enquanto isso continua empanturrando-se com caviar, apesar de reclamar que o mesmo não satisfaz tanto quanto antes.

Falta opção? Não. Impossível faltar opção em São Paulo. Falta sabor. Falta alguma casa a oferecer, aquele "algo" diferente. Assim como quando a Apple lançou o iPhone ou quando a Microsoft criou o Windows. Algo que, pelo menos por um tempo, irá tornar-se indispensável na vida das pessoas. Falta um diferencial que colocará a vibe novamente em alta, deixará todos ansiosos pelo fim de semana e arrependidos caso passem a noite de Sábadoem casa. Algo que instigue novamente a SER a festa e não ESTAR somente de corpo presente.

Riscos existem. Difícil agradar um, impossível agradar a todos. Não estou colocando em cheque a necessidade da concorrência, de um clube tomar o lugar de outro. Falo de reviver uma vibe há muito esquecida, onde as pessoas saiam pela amizade, pela confraternização. Hoje os filhos do tão aclamado universo perfeito, por melhor que seja, parecem estar lá apenas para serem vistos e admirados. Quando foi que essa transformação ocorreu? Por que ninguém notou isso antes? Quando foi que nós, público como um todo, deixamos de ser alegres e sociais para sermos metidos e individualistas? Quando foi que nós, que rechaçamos todo e qualquer preconceito em palavras, passamos a selecionar nossas amizades a partir da beleza física ou das marcas de roupas e acessórios?

São Paulo está esperando "the next big thing". E espero poder aplaudir o dono da idéia, seja ele veterano na noite ou não.

terça-feira, 1 de junho de 2010

GOROROBA QUE EMPOLGA



Eu tenho uma mania de misturar comida. Adoro, por exemplo, misturar feijoada com strogonoff de carne com um pouco de parmesão ralado por cima: o sabor, ao menos para mim, é maravilhoso. Quem não gosta de misturar alimentos para obter um sabor diferente?

"Fúria de Titãs" é uma boa mistureba. Esqueça tudo que você leu sobre a lenda de Perseu ou o filme original de 1981. Ambos servem somente de base, nada mais. No mais, ocorre uma mistureba de personagens do original, de personagens da mitologia grega, uma salada só. Porém, o sabor caiu bem ao meu paladar.

O filme não tem nenhuma atuação boa. Todo mundo está bem médio, falas até cafonas. O quê empolga são os efeitos, as cenas de ação. A luta com os escorpiões é de fazer encolher-se na cadeira e só é superada pela luta contra a Medusa, de longe a melhor parte do filme.

Roteiro sem novidades, atuações médias, sequências de ações boas. Visto como entretenimento e esquecendo a comparação com o original, "Fúria de Titãs" cumpre o quê promete: divertir e fazer comer pipoca, sem maiores pretensões. Por isso, o filme me agradou tanto: porque funciona!