quinta-feira, 10 de junho de 2010

DESABAFO ABERTO

Após os últimos comentários que ouvi sobre as festas da Parada de 2010 e a quantidade menor de turistas, comecei a refletir e cheguei a seguinte pergunta: estaria São Paulo perdendo o brilho?

Primeiramente, São Paulo ainda possui a melhor noite do Brasil, GLBT ou não. FATO!!! Entretanto, sabemos que, em se tratando de noite GLBT, a concorrência é feroz. O mercado é menor, porém possui alto poder aquisitivo. É um negócio arriscado, porém que rende muitos bons frutos para quem conseguir entender a cabeça do seu público-alvo.

Entretanto, há alguns anos, diria que pelo menos a uns três anos, todos reclamam da mesmice. A mesmice da noite: as mesmas pessoas, mesma balada, mesmas músicas. Sim, todo final de semana é uma grande festa, mas parece que o padrão de qualidade ficou alto demais. Resultado: o público ficou mal-acostumado com tanto luxo. Somando-se a isso a natureza humana de que quanto mais se tem, mais se quer, chega-se a conclusão que o público está querendo mais do que os clubes/festas podem oferecer.

Opções surgiram. Cenários menores e mais intimistas saboreiam uma parte do sucesso. Entretanto, falta algo novo, grandioso. Há três anos que esse "algo" está ausente. As pessoas que frequentam continuarão as mesmas, em sua maioria, salvo aquelas que decidem abandonar o ritmo baladeiro e os novos ingressos nesse universo. As músicas continuam o mesmo feijão com arroz, talvez porque os DJs tenha receio de arriscar ou o público ser muito limitado e não querer outro coisa além do "feijão com arroz" usual. Mas a necessidade de um ambiente novo, de atrações diferentes, nunca foi tão forte. Talvez a falta de quorum nas últimas festas, seja por conta da falta de turistas ou pela ausência dos próprios paulistanos, seja indicativo de que algo não está tão certo como antes.

Fica a impressão que não existe mais nada a se oferecer. Seria uma crise de criatividade? Hoje todos querem seguir o padrão do luxo, outros querem melhorá-lo ou adicionar um ingrediente exclusivo que fará a diferença. Até onde vejo ninguém conseguiu ainda igualar o padrão vigente. E a própria criadora parece ter esgotado suas possibilidades. Ela sempre conseguiu se superar, porém parece que agora ela chegou a um ponto onde talvez não haja mais nada para superar. O céu é o limite, correto, mas o saldo na conta bancária também.

E agora? Acostumou-se o público com caviar, mas parece que ele quer mais ainda. Enjoado da iguaria, ele deseja algo novo, algo que sequer foi inventado. Enquanto isso continua empanturrando-se com caviar, apesar de reclamar que o mesmo não satisfaz tanto quanto antes.

Falta opção? Não. Impossível faltar opção em São Paulo. Falta sabor. Falta alguma casa a oferecer, aquele "algo" diferente. Assim como quando a Apple lançou o iPhone ou quando a Microsoft criou o Windows. Algo que, pelo menos por um tempo, irá tornar-se indispensável na vida das pessoas. Falta um diferencial que colocará a vibe novamente em alta, deixará todos ansiosos pelo fim de semana e arrependidos caso passem a noite de Sábadoem casa. Algo que instigue novamente a SER a festa e não ESTAR somente de corpo presente.

Riscos existem. Difícil agradar um, impossível agradar a todos. Não estou colocando em cheque a necessidade da concorrência, de um clube tomar o lugar de outro. Falo de reviver uma vibe há muito esquecida, onde as pessoas saiam pela amizade, pela confraternização. Hoje os filhos do tão aclamado universo perfeito, por melhor que seja, parecem estar lá apenas para serem vistos e admirados. Quando foi que essa transformação ocorreu? Por que ninguém notou isso antes? Quando foi que nós, público como um todo, deixamos de ser alegres e sociais para sermos metidos e individualistas? Quando foi que nós, que rechaçamos todo e qualquer preconceito em palavras, passamos a selecionar nossas amizades a partir da beleza física ou das marcas de roupas e acessórios?

São Paulo está esperando "the next big thing". E espero poder aplaudir o dono da idéia, seja ele veterano na noite ou não.

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