quarta-feira, 16 de junho de 2010

CHEGA OU AINDA QUEREM MAIS?

Lógico que eu ia assistir "Sex and The City 2". Vocês acham que não? Eu adorava o seriado, apesar de achar uma tremenda palhaçada viado dizer que quem é gay é obrigado a gostar do seriado. FAÇA-ME O FAVOR! Detesto quem tem mente pequena e quer padronizar todo mundo.

"Sex and The City 2" provocou uma dualidade na minha cabeça. Ele consegue ir da estratosfera até as profundezas abissais. Conseguiu despertar amor e ódio.

A série deixou um buraco na vida de muita gente. Assistir ao filme pareceu uma reunião com velhas amigas para colocar o assunto em dia. Bem, é disso que o filme trata, reunindo todas em uma grande viagem até Abu Dhabi.

Este é o problema. Das quatro, três estão casadas. E justamente a graça do seriado eram os encontros e desencontros de quatro solteiras em Nova York, cada uma com suas características. Esse revival das quatro amigas em Abu Dhabi tem seus momentos interessantes. O roteiro, com mestria, soube encaixar situações de mulheres casadas com os personagens (somente com Miranda a coisa não funciona, o personagem ficou por demais apagado). Soube explorar também a preocupação com envelhecimento (Samantha, como sempre, rende as melhores piadas). As piadas estão fantásticas (fora a cena ridícula do Karaokê, totalmente dispensável).

O quê há de errado então com o filme? Ele soa datado. Incrivelmente datado. Soa como velho, parece querer dar continuidade a algo que devia ter sido encerrado há algum tempo atrás. O luxo e exuberância não são mais os mesmos, a jovialidade ficou para trás com o envelhecimento das atrizes. O tom ficou mais sério e apesar dos dramas terem sido bem aproveitados, não parece mais "Sex And The City".

Fiquei com essa dualidade. O filme é bom ou ruim? O filme consegue ser incrivelmente fantástico e incrivelmente péssimo ao mesmo tempo! Eu gostei? Adorei! Só que ao mesmo tempo tive a impressão que era "mais do mesmo", igual a qualquer comédia romântica com a única diferença que eu já tinha me afeiçoado aos personagens a muito tempo atrás.

E não é à toa que os gays se identifiquem tanto. Carrie é o gay que não sabe o que quer, quer as maravilhas de ser casado e o lado bom de ser solteiro e independente. Ou seja, não quer compromisso. Samantha é a "bunita" que quer ser puta, sair catando todo mundo, mas se desespera ao perceber que está virando "tiozão". Miranda é a biba ranheta, nada está bom, não gosta de boite, de sauna, de barzinho, de internet e ainda assim que encontrar alguém. Charlotte é o viado que ainda acredita em príncipe encantado e a cada namorico que não dá certo cai em depressão.

Mas o importante é aproveitar. "Sex And The City 2" deve ser visto como boa diversão e somente isso. Nada de achar que é "o filme do ano". Limitar-se a isso é limitar sua visão do mundo e seu modo de pensar. Existe vida pós Carrie Bradshaw.

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