sábado, 2 de abril de 2011

TÔ FICANDO VELHO?

Sabe aquele sentimento de que nada mais é tão legal como antes? Sim, eu sabia que eu podia chegar nesse ponto, torcia para que demorasse mais, mas chegou. E a sensação de que nada mais agrada como antes tornou-se algo constante.

Não estou falando somente de balada. Estou falando de filmes, livros, acontecimentos (menos seriados, pois os roteiristas parecem ter descoberto um poço de criatividade em algum lugar).

Mas tenhamos como exemplo as baladas. Nunca foram tão chatas. Perderam aquela mágica de arrastar multidões, com exceção de datas especiais como Carnaval e Parada de São Paulo. Mas ao mesmo tempo, fico me perguntando se a culpa é dos empresários dessas casas ou se sou eu que envelheci e estou naquela fase em que nada mais me agrada?

Um exemplo são as próprias casas e seus ambientes. O mesmo ambiente, mesmo que tenha um detalhe diferente, cansa depois de um tempo. Não estou falando de decoração, mas por você saber que está no mesmo lugar de sempre, pensando de modo macro. Pequenos detalhes retém sua atenção por pouco tempo, mas os grandes chamam mais. São eles que ficam na memória e são eles que enraizam a sensação de mesmice.

Um outro ponto a tocar são as músicas e os DJs. Quero deixar bem claro que não tenho nada contra nenhum DJ e nem tampouco estou criticando o trabalho de ninguém. Muito pelo contrário, tenho visto diversos DJs esforçando-se para trazer novidades e fazer o povo dançar. Mas o maior problema é que o público gay, musicalmente falando, é B-U-R-R-O. E assim como as redes de TV precisam nivelar por baixo o conteúdo de sua programação para que as classes C, D, E e o restante do alfabeto possam entender a programação, os DJs, infelizmente, vêem-se obrigados a não sair de um determinado setlist para o público C, D e E da balada não sair falando mal da casa. Pessoal, ser burro é feio! Bicha burra nunca consegue casar (não sem dar golpe)! Viado não sabe sair desse mundinho de Britney, Gaga e Kate Perry! FAÇA-ME O FAVOR!
Chegar na boite, em um fim de semana comum, já sabendo de antemão o quê provavelmente vai tocar, é brochante ao extremo! Faz com que a música seja algo secundário, assim como o desejo de dançar. A música virou uma mera trilha sonora para caçar.

Outro ponto é a colocação. O povo anda exagerando muito! Provavelmente querendo esquecer a mesmice do local e a música repetitiva. Mas sinceramente, diante dessa mesmice e da DPB (Depressão Pós-Balada), nem a colocação bate da mesma maneira. E quando você percebe que seu corpo fica mais cansado depois de uma noite na balada do que antigamente, você passa a querer maneirar mais na sua jogação, inclusive na colocação.

Visto isso, a noite acaba sendo dedicada puramente a pegação, a procurar alguém. Porém, diferente de antes, hoje não é mais possível encontrar príncipe encantado na balada. Na verdade, até sapo tá fazendo carão! Antes, as pessoas cuidavam do corpo e ficavam malhadas para pegar os gostosos malhados da balada. Não que isso tenha mudado, mas a diferença é que hoje as pessoas malham para serem vistas e desejadas. Nunca vi tanta gente saindo sozinha da balada, simplesmente por se achar boa demais para ficar com alguém. E o mais engraçado é que nos recônditos da 269 e nas salas de bate-papo de UOL, as bunitas estão pegando qualquer um para dar uma boa gozada. Mas tá valendo, pois ninguém tá vendo. Por quê? Porque muitas "bunitas" são hipócritas ou são cegas para não perceberem quem está dando sopa logo ao lado? (Bom, tem aquelas que estão ou caindo de G pelos cantos ou desbravando o matagal).

Agora, me expliquem: como eu não vou enjoar da noite se o povo bonito se concentra no mesmo local, para ouvir as mesmas músicas (por quê as bichas são BURRAS e quem paga o preço são os DJs que não podem ousar muito) e o povo quer mais aparecer do que paquerar? Sou eu que tou velho demais?

Existem opções sim, mas com eu digo, quem faz o lugar é o público! Se o dito "povo bonito", que são as barbies com seus músculos, bate cartão em um lugar só, é prá lá que a maioria do povo vai. Por quê de gente feia já basta o quê a gente vê na rua. E antes que venham dizendo que essa última frase é fútil, já vou dizendo: antes ser fútil do que ser hipócrita!

Ainda bem que aos poucos isso vai se quebrando, visto que existem bem mais clubes GLS em atividade pela cidade do que a dez anos atrás. Todos com seu público cativo, que aumentou visto que a quantidade de heteros "gay-friendly" aumentaram bastante em frequência. A maioria ainda bate cartão em um mesmo local, mas alguns já procuram outras opções.

E por enquanto, acompanho o andar da carruagem. Porém, aceitando melhor que nada me agrada como antes e que, um Sábado a noite em casa não parece mais uma noite em vão.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A ESTRANHA DANÇA DO ACASALAMENTO

Após o Carnaval, começa a deprê geral. Primeiramente porque o Carnaval acabou e ficou aquele gostinho de "quero mais de tudo de novo" na boca. Segundo porque as bunitas, que investiram tanto no ciclo para a época e no figurino para as festas descobrem que, apesar de chamar olhares e fazer bocas babarem de desejo, elas continuam sozinhas.

Daí, nossa amiga viada fashion-bombada-hypada-plus resolve ir à luta. E qual o melhor lugar para caçar? A pista de dança, lógico (ok, tem a sauna e a Internet também, mas não é o foco desse post então não enche o saco e deixa eu desenvolver minha idéia).

Então ocorre a cena que nenhum documentarista do Discovery Channel conseguiu flagrar ainda. É a dança do acasalamento gay. Pois, como qualquer outro animal (humano), viado também acasala. Então imaginem uma voz de documentarista narrando a cena:

"O viado chega ao local onde ocorre o reconhecimento. Reparem que ele tira os óculos escuros e olha ao redor, fingindo desinteresse, mas ao mesmo observando os possíveis parceiros."

(Aquela hora que todo mundo está do lado de fora da pista, fazendo o social, mas na verdade está observando se a casa está boa em termos de carnes).

Continuando.

"O viado, após a colocação inicial, livra-se da camisa, expondo a parte superior do corpo para os outros ao redor. Note que ele ainda não demonstra interesse pelos possíveis parceiros querendo apenas exibir-se para e demarcar seu território...".

E viado quando demarca, demarca. Vira um empurra-empurra, um vuco-vuco... Ou seja, aquele momento que é para ser notado, para se fazer presente, aquela necessidade ferrenha de chamar a atenção e marcar território como "a mais bunita do pedaço", mesmo que não seja nem a mais bunita e nem a única bunita.

"Um suposto parceiro aparece. O viado observa o mesmo, sério, comedido. Um sorriso mal dado pode afugentar o parceiro, que irá embrenhar-se pelo matagal em busca de um macho".


(Matagal... SEI!)

"Notem que o viado encontrou outro viado sozinho e travaram um longo olhar. Essa sequência de olhares irá prosseguir pelo próximos minutos até que um deles inicie a dança do acasalamento".

(Alguns minutos, horas...a noite toda...o outro finde...e o outro..)

Agora vem a parte notória...

"O viado se aproxima. Os olhares se encontram de vez em quando para confirmar o interesse. Ambos estão entretidos com a música, porém apercebem-se da presença um do outro".
("Apercebem-se" foi fino, não?)

"Para demonstrar o interesse, o viado inicia sua dança próximo do desejado parceiro. Notem que nesse momento ele evita o contato com os olhos. Também evita falar algo, pois a voz pode vir a soar estridente e afugentar o parceiro".

("Inhaí?!". Preciso explicar mais?)

"A dança prossegue. Notem que o viado posiciona-se próximo do parceiro, roçando de leve no corpo dele e observando a reação. Caso o parceiro afaste-se, ele pode estar ou desistindo ou não querendo parecer uma presa fácil".

(presa fácil = puta)

"O viado continua sua dança. Observem quando ele dá as costas para o parceiro. À primeira vista pode parecer um desinteresse, mas na verdade o viado aguarda que o parceiro tome a iniciativa e o acaricie ou nas costas ou até no rabo, demonstrando assim seu interesse. Um sopro na nuca pode também ser um sinal mais discreto".

(Aliás, porque quando alguém está interessado em você, sopra nas suas costas ou nuca. Alguém me explica?)

"O viado continua nessa dança pacientemente, aguardando o bote do outro viado. Caso o bote demore, ele tenta novamente travar um contato com os olhos. Porém, ele aguarda pacientemente a iniciativa do outro."

(E o outro está aguardando a mesma coisa...hahahahaha).

"Visto a demora na resposta, o viado afasta-se para buscar água ou algo mais forte. O parceiro também se afasta. Logo, ambos estarão executando a dança com outros viados, procurando uma ocasião para acasalar".

Pronto. Imaginaram a cena? Por quê, caralho, quando alguém está interessado apenas olha, dança perto, esbarra, dá as costas, esbarra, fica ao lado, esbarra...e não faz nada? Será que o povo se acha tão gostoso que cantar alguém é se rebaixar demais? Precisa ser desejado, caçado, cantado para suprir o ego?

FAÇA-ME O FAVOR!

Ser direto não mata ninguém. Ouvir um "não", muito menos, mas parece que a maioria dos gays, principalmente as barbies, não possuem estrutura psicológica suficiente para ouvir um "não". E assim caminha o viadeiro...

segunda-feira, 14 de março de 2011

PENSANDO NO CARNAVAL DE FLORIPA

Pensando bem...

1. Florianópolis te dá uma paz por um contato maior com a natureza, sol, mar. Sair de Sampa sob chuva e ser recebido pelo sol e vários amigos é insuperável! A visão do verde, quebrando a constante imagem da cinza selva de pedra, já relaxa.

2. O pessoal da "Ilha da Magia" é prá lá de simpático. Educados, cumprimentam todo mundo, tratam o turista bem. Sem contar o sotaque "cantado" que é dá um toque de simpatia a mais.

3. Os "manezinhos", como chamam os habitantes da ilha, não sabem o que é carão. Quando estão interessados, aproximan-se sorrindo, estendem a mão, perguntam seu nome, elogiam. Paqueram mesmo. Paulistas e Cariocas poderiam aprender mais com eles.

4. O clima das festas é único. A sensação de ser Carnaval, a época mais aguardada pelo brasileiro, de estar com amigos, curtindo uma vibe ímpar que não existe no mundo inteiro, lava tua alma e te deixa preparado para enfrentar a rotina ao longo do ano. Deviam ser dois carnavais por ano (e mais a Parada Gay de São Paulo, lógico).

5. Como em todo Carnaval, tem MUITA gente bonita de todo canto do Brasil. E convenhamos, todo mundo sente-se bem no meio de gente bonita. Isso sem contar os flertes, ficadas e o....

6. Basta uma caminhada sem camisa na rua que a cada cinco minutos alguém passa te cantando. Aliás, a ordem em Floripa é andar com o torso desnudo, camisa presa na cintura como um simples acessório. E o povo passa, assobia, seja homem ou mulher, seja brincadeira ou prá valer. Serve como uma ótima massagem no ego.

7. ESTAR COM OS AMIGOS QUERIDOS, FAZER NOVOS AMIGOS, REVER AMIGOS DE LONGE E CONHECER PESSOAS ESPECIAIS: PRICELESS.

Pensando mal...

1. A coisa mais difícil é você pegar um táxi. Já tenha uma listinha de serviços de rádio-táxi, pois você vai precisar.

2. A falta de estrutura da cidade é muito triste. Alta temporada é sinônimo de congestionamento, atrasos, atrasos e mais atrasos (muita gente perdendo o vôo, diga-se de passagem).

3. Encontrar um caixa eletrônico é praticamente uma missão impossível. Fora da região central, esqueça. O jeito é tirar dinheiro antes de viajar e balancear com o cartão de crédito. E logicamente, redobrar a atenção ao portar muito dinheiro.

4.  O aeroporto, apesar de ter o básico, peca em falta de estrutura. Estava esperando uma lâmpada despencar do teto e acertar a cabeça de um dos atendentes das companias aéreas. Fora que as mesmas parecem não ter grande interesse em colocar mais aviões. Depois do vôo das 13:40, por exemplo, somente há vôo às 19:30.

5. A mesmice das festas. Os mesmos DJs de Reveillon, Parada e outras datas. Mas, WHO CARES? É o que o povo gosta! Ninguém liga se a decoração é praticamente IDÊNTICA a do ano passado, se o bar fecha cedo demais, se a pista fica intransitável quando chove ou se cede em um ponto causando fechamento parcial e dificultando mais ainda na lotação.

6. O exagero na colocação. Seja a famosa "balinha", a "água que passarinho não bebe" ou na vodka com energético, o povo parece tão afoito que passa da conta às vezes. Eu ajudei quatro amigos nesse Carnaval. Mas que atire a primeira pedra quem nunca passou do ponto.

Agora, pensando no geral, eu repetiria tudo de novo!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

RIXA IMBECIL

"VOCÊ ESTÁ PENSANDO QUE EU AGUENTO AS COISAS CALADO? EU SOU CARIOCA! NÃO SOU OTÁRIO QUE NEM PAULISTA!"


Frases gritadas as berros em uma academia aqui de São Paulo, por um personal carioca que estava malhando no horário.

O motivo? Nenhum. Saiu gratuito proferido contra um amigo meu.

O quê mais me espanta não foi a gritaria. Foi o conteúdo. Um carioca mostrar o que realmente pensa dos paulistas. Causa-me nojo esse tipo de preconceito em pleno século XXI. FAÇA-ME O FAVOR!!!!

Sinceramente, de alguns anos para cá, eu tenho notado que existe um movimento apazigudor na rixa imbecil entre São Paulo e Rio de Janeiro. Eu amo as duas cidades (uma um tiquinho a mais que a outra, confesso) e muitos amigos meus também tem amam as duas. Muita gente percebeu que esse é um preconceito idiota.

Por isso choca-me descobrir que algumas pessoas parecem adorar essa rixa. Adoram falar que sua cidade, seja qual for, é melhor que a outra. Adora denegrir a imagem da "rival" (não sei em quê). Bom, ambas tem seus problemas e suas virtudes. Mas fica difícil engolir esse tipo de preconceito exarcebado quando todos somos brasileiros.

O quê mais me espanta é um profissional que lida com o público, que mora em São Paulo e cujos clientes são paulistas demonstrar tão gratuitamente seu ódio pelos nascidos em São Paulo. Se essa raiva é tanta, ele devia considerar retornar para o Rio de Janeiro. Não vou ao Rio falar mal de uma cidade que eu amo e do povo tão gente boa quanto o povo carioca, o mais amigável do Brasil. Não gosto que falem mal do Rio e dos cariocas como não gosto que falem mal de São Paulo e dos paulistas. Para quê alimentar uma rixa histórica?

Todos possuem direito de expressão, mas usar esse direito para disseminar o ódio e o preconceito torna a pessoa tão imbecil contra essa rixa, assim como é imbecil o preconceito contra nordestinos. Nessas horas percebemos que, em termos de união, o povo brasileiro precisa aprender muito ainda.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

VAGAS DEMAIS, PROFISSIONAIS DE MENOS

Pior que a falta de bons profissionais é a falta de profissionais. De nada adianta uma melhora na economia se não temos profissionais qualificados o suficiente para impulsionar esse crescimento.
E algo que já venho notando no ano passado e agora tornou-se crítico é a falta de profissionais na área de informática. E é muito sério! Hoje em dia é um profissional essencial, ainda mais que o computador tornou-se presente na maioria dos lares brasileiros. E com a Internet, pessoas e empresas descobriram um mundo onde tudo acontece muito rápido.

Contratar um profissional de informática não é algo tão simples. As empresas já possuem sua estrutura de TI e buscam por pessoas com uma série de conhecimentos muito específicos, que melhor se adequam a empresa. Mas existem dois grandes empecilhos. O primeiro deles é a quantidade de conhecimentos que a maioria das empresas exigem. A grande maioria não está disposta a treinar o profissional, elas preferem o profissional pronto, que já tenha trabalhado com as tecnologias que ela trabalha. O segundo é que o setor de TI é muito mais dinâmico que qualquer outra área. O conhecimento pode se tornar obsoleto em questão de dias! E as universidades só conseguem fornecer a base. O graduado já sai desatualizado!
Tecnologia da Informação exige que o profissional sempre esteja o mais atualizado possível. Mais ainda, exige que ele tenha um bom jogo de cintura quando se trata em filtrar as informações que lhe serão mais úteis.
Outro ponto que diminui o interesse pela área é a matemática envolvida. Os cursos de bacharelado em Ciência da Computação, por exemplo, possuem matérias cujo nome assusta logo de cara: Cálculo Diferencial Integral, Álgebra Linear, Geometria Analítica, Estatística. Tem que gostar mesmo para encarar.

Se a situação por profissionais (não só por bons profissionais, mas pelo todo) é crítica, mais difícil ainda é encontrar desenvolvedores. O analista desenvolvedor é a pessoa que realmente escreve o programa, que cria uma aplicação, um game etc. Tal carreira demanda domínio de lógica e, mesmo nos cursos universitários das melhores faculdades, é difícil encontrar programador promissor. Some-se a isso que nem todos vão optar por seguir a carreira como desenvolvedor.

A situação acaba tornando-se crítica para as consultorias, mesmo as grandes. Essas empresas costumam contratar profissionais de informática como pessoa jurídica para se livrar dos encargos decorrentes de uma contratação CLT. Com a grande falta de profissionais, principalmente em desenvolvimento de sistemas, as consultorias vêem-se obrigadas a aceitar o quê os poucos profissionais disponíveis exigem como pagamento. E como elas precisam manter um preço atraente para o cliente final, elas acabam tendo que arcar com uma diminuição do seu faturamento.

A solução? Não basta aumentar o acesso do público ao ensino superior, mas consultorias/empresas contratantes precisam visualizar que é melhor treinar um profissional do que ficar sem um. A demanda aumenta cada vez mais, mas a quantidade de formados está muito aquém da demanda.

Na atual conjuntura, as consultorias precisam rever e encarar essa realidade e aceitar que, para não perder clientes, terão que se contentar que elas estão perdendo cada vez mais o poder na negociação de salários. Não parece promissor ter que pagar mais pelo profissional sem poder aumentar os custos de seus clientes, mas o atual momento pede esse sacrifício.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

OS REVOLTADOS COM O CARNAVAL

Uma coisa que não queria fazer enquanto tivesse esse blog é comentar de noite, citar nomes e casas etc. Não quero me envolver com certas coisas e quando se fala de noite ganha-se muitos inimigos por aí. Mas não deu. Preciso exercer minha "citricidade".


Todo mundo está reclamando do preço dos ingressos para as festas de Carnaval em Floripa. Que foram de cômodos R$ 50 para R$ 150. Realmente é um absurdo, algumas pessoas se recusando a pagar, desistindo de Floripa. Mas grande maioria continua firme e forte nos seus planos para o Carnaval na Ilha, inclusive para as festas.

Outra coisa que reclamam é que são sempre os mesmos DJs, mais do mesmo etc. Um amigo no Facebook disse que "lamenta pelos amigos que vão para a Floripa". FAÇA-ME O FAVOR!!! Ninguém está lamentando por ir não. Muito pelo contrário!
Agora quero levantar alguns pontos em relação a tanta reclamação etc. Não sou contra a reclamação, mas sou contra a reclamação EXCESSIVA, então vamos lá:

1. Sobre o aumento dos preços dos ingresos, a casa faz o que quiser. Ela disponibilizou o primeiro lote a R$ 50 e quem foi rápido (como eu), pagou menos. Como existe uma procura grande, a casa tem o direito de colocar o aumento que quiser (lei da oferta e procura, lembram?). Todo mundo, mas todo mundo paga (pois todos PRECISAM ser vistos pelo menos em alguma festa, para manter o status). Lógico, todos possuem direito de reclamar dos preços abusivos da casa, assim como os preços do gás, luz, telefone, ônibus, cinema, alimentação etc. É como em um evento ou show: quer ver? Pague o preço!

2. Realmente, os DJs são mais do mesmo. Nada muda. Mas o quê podemos fazer? A casa nos empurra os mesmos DJs e continuamos consumindo pois não teremos outras opções em Floripa. Você pode fazer seu protesto e deixar de ir nas festas. Mas muita gente não liga para quem está tocando, pois a música ficou como sendo algo secundário. A colocação e a pegação vem em primeiro lugar. E isso é culpa do público que nunca fez nada no início e agora pouco importa. Outro fato importante é que muita gente GOSTA do feijão com arroz, dos mesmos DJs. Se você gosta muito de um artista em particular e ele fizesse show com frequência em sua cidade, você iria diversas vezes, certo? Pois é, a casa pode estar oferecendo a mesma coisa de sempre, mas tem gente que REALMENTE gosta da mesma coisa de sempre.

3. As referidas e tão caras festas são a única grande opção para o público GLS em Floripa, pelo menos a mais conhecida. E o povo quer ferveção e pegação na festa do Rei Momo. O quê fazer se não for para as festas? Ler um livro? Melhor ficar em casa!

Isto é o reflexo de uma boa jogada de negócios, se é que nenhum outro concorrente conseguiu ou está conseguindo emplacar alguma outra festa em Floripa este ano. Não existem opções! Tudo caro, para ouvir mais do mesmo, mas o quê você vai fazer? Ficar em casa? Ficar em Sampa? Existem mais opções no Carnaval do Rio de Janeiro, mas nos últimos três anos o paulista, detentor de grande poder aquisitivo, vem preferindo a Ilha da Magia. E mesmo no Rio, as pessoas acabam indo pelo menos uma noite na filial carioca da referida casa. Não dá no mesmo?
 
As opções estão bem limitadas para o Carnaval em Floripa. Aceitar as mesmas festas, da mesma casa, com os mesmos DJs a um preço bem salgado por noite. Mas é a única coisa que tem. Todos querem se jogar e não tendo concorrência, todos aceitam o que é imposto. Mas no final, a maioria afirma ter se divertido com o velho arroz com feijão. As pessoas deviam aproveitar o momento, curtir a noite, curtir os amigos, ao invés de ficar analisando a técnica do DJ. Do DJ residente, o mesmo de todo fim de semana,  ninguém nunca reclama! Do gringo que toca sempre, o povo acha um horror. Menos pessoal. O quê importa é estar se divertindo. Se você não consegue se divertir e não vê opções, melhor passar o Carnaval em Sampa mesmo.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

JUVENTUDE HOSTIL

Tem vezes que presencio certas coisas no Facebook que me deixam de cabelo em pé. Ontem presenciei uma que me deixou chateado, por ter consideração pela pessoa, e serviu para complementar um post que já vinha passando pela minha mente.


Eu fico espantado com a maldade das pessoas. Mais específico do público gay. A necessidade de despojar superioridade, de querer ser sempre melhor que os outros e esfregar isso na cara alheia. Essa necessidade que o gay tem de se afirmar acaba por vezes sendo da forma mais maldosa possível.

Até onde alguém que se valoriza pode ser considerada uma pessoa com auto-estima ou uma pessoa "que se acha"?. Não há problema nenhum em querer exibir a beleza, o corpão, mas humilhar pessoas no processo é algo muito baixo.

O fato que ocorreu é típico no Facebook, onde algumas pessoas o utilizam para pegação e não apenas para manter contato com os amigos. E ocorreu o caso típico de uma pessoa de corpo dito normal dar uma cantada em um rapaz nos seus vinte e poucos anos, malhadão.

O resultado? O pior possível.

Ao invés de educadamente dizer que "não rola", o jovem resolveu humilhar publicamente. Sobrou até para mim que fiz um comentário tentando apaziguar as coisas, cuja resposta desse "ex-amigo" foi óbvia o suficiente para revelar o tipo de pessoa que ele é.

Que tipo de índole existe por trás de uma pessoa que clama que "humildade é um fraqueza"?

Comentários baixos do tipo "você deveria ir malhar antes sequer de vir conversar comigo". Ou ainda "você deveria só tirar foto depois que ganhasse um dez quilos". Coisas que seriam totalmente desnecessárias. E o tal jovem, cego por seu ego, ainda reclama que lutou muito para ter o corpo que tem e isso lhe dá direito de julgar e humilhar. FAÇA-ME O FAVOR!!!

Respondi humildemente a patada dele e excluí de vez do Facebook. Quero distância de pessoas com índole tão baixa.

Daí pensando no assunto, percebendo a agressão gratuita, fica aquela pergunta no ar: porque essa juventude é tão fútil? Qual o motivo de destilarem tanta maldade com pessoas que sequer conhecem?

O aporte do tal jovem musculoso somente serviu para demonstrar quão vazia anda a cabeça desses jovens. Muitos deles realmente se acham melhores que os outros, fazem questão de demonstrar isso na frente de todos e, quando possível, humilhar a pessoa. Ficam parecendo um adolescente que precisa aprontar alguma para ser aceito pela turma dos populares no colégio. A maldade que existe entre esses jovens é espantosa! É triste ver que esse tipo de pessoa, que deveria dar exemplo de educação, dá um exemplo de preconceito online para qualquer um que queira ler. Fico imaginando ao vivo.

Esse é o resultado de uma juventude que está crescendo bonita, malhada e mais fútil. Aqueles que provocam uma divisão de castas desnecessária no mundo GLS. O tipo de pessoa que aprecia somente o exterior.

Uma juventude desprovida de moral e boa educação. Um simples "Cara, não rola", com educação suficiente, resolveria o caso.

Segue o positivismo. Mas é vergonhoso ver que lutamos tanto para acabar com o preconceito, mas não conseguimos extinguir com o mesmo na nossa pequena esfera. E nessas horas, tenho vergonha em ser gay.

SEGUE O POSITIVISMO

Final de 2010 foi aquela coisa tranquila. Aquela sensação de paz de espírito, de boas energias no ar, muito positivismo. Seja para o pessoal que viajou para o Rio ou Floripa ou outro lugar, ou que ficou em Sampa como eu. As vibrações não podiam ser as melhores.
Então.

Segunda-Feira.
03 de Janeiro de 2011.
A maioria do pessoal já voltou para o trabalho.
Na empresa todo mundo sorridente. Sorrindo de ponta a ponta. "E aí? Como foi seu Reveillon?", pergunta aquele colega hetero que você não suporta. "Tava no Rio", responde você. "É? Eu também estava. Foi em Copa?". E você tentando despistar o enxerido (sempre tem alguém que quer se meter na sua vida).
Almoço.
Liga para os amigos, para saber do Reveillon de cada um, o quê aconteceu, como foi. Todo mundo meio de ressaca ainda. Todos repensando a vida, chorando as pitangas, fazendo mil promessas.
Noite. Academia.
Meio vazia. Pessoal ainda cansado.
Então.

Terça-Feira
04 de Janeiro de 2011
"Putz, é Terça ainda?", pensa quando chega no trabalho. Um café para acordar. Quer se sentir mais up, mas ainda tá meio com a bateria baixa. De volta a rotina. Mas não perde o positivismo.
Almoço. Alguns amigos não atendem. Meio repensando ainda. Reflexões. Outros (eu inclusive) já todos serelepes com as festas de Carnaval. No restaurante, a madame do Jardins começa uma discussão com uma jovem executiva que tinha pego o último pastelzinho do cesto. Discussão.
Tarde. Chuva. Marasmo no escritório. O tempo está passando mais devagar ou é você que ainda está slow-motion?
Noite. Academia depois de um descanso em casa.
Mais animado.
Meio vazia. Pessoal ainda cansado.
Então.

Quarta-Feira
05 de Janeiro de 2011
Manhã cinzenta. Um cinza-paulistano que também cai bem com a cidade.
2011 cinzento? Nem pensar. Vamos fazer melhor que ano passado.
Pessoal tomando café na padaria. Todos apressados para o trabalho. A rotina chama.
Duas pessoas discutindo na Paulista. Palavras de baixo calão. Logo assim de manhã?
Galera? Ei! 2011! Alto astral.
Cadê?
Trabalho
...
Almoço
Sem discussões no restaurante. Clima bom, almoço tranquilo. Papo com os amigos. Pessoal já se animando.
Reavaliando.
Tarde
Trabalho rendeu.
Noite
Segue o positivismo.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

DEZ COISAS QUE APRENDI EM 2010

1 - O amor existe.

2 - É importante conhecer melhor as pessoas que sempre estão ao seu lado.

3 - Seus amigos são sua segunda família.  Mas como toda família, esteja sempre abertos para novos membros.

4 - Você tem direito, religiosamente, de acreditar no que quiser. Mas precisa respeitar aqueles que escolheram acreditar em nada.

5 - Saúde sempre em primeiro lugar.

6 - Depois de um certo tempo, tudo parece igual. Alternativas são necessárias: um bom filme, seriado, um dia no parque....

7 - Tome cuidado das suas finanças.

8 - Nunca deixe de procurar ajuda, profissional ou não, quando na sua cabeça achar que tudo está saindo dos trilhos.

9 - Paciência sempre será uma virtude.

10 - Aprenda a ouvir críticas, mesmo as negativas. Não importa de quem venha, analise e descubra qual o fundo de verdade e como crescer com elas.

A todos meus leitores, FELIZ 2011!!!!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

FOI MAIS DO QUE ULTRA

NUNCA, EU DISSE NUNCA, CLUBE NOTURNO OU LABEL PARTY CONSEGUIU FAZER UMA FESTA QUE SEQUER CHEGASSE AOS PÉS DO UMF.

Eu precisa começar assim, com o caps lock ligado, pois é algo a se ressaltar. O Ultra Music Festival, mais conhecido como UMF, foi uma das melhores festas de música eletrônica que já fui. Talvez tenha sido a melhor. Sim, houveram erros, mas nada que se compare com a vibe e qualidade de som que presenciei. Algo tão memorável ajuda a apagar qualquer grande problema tenha ocorrido.

Muitos podem reclamar dos defeitos. O local é longe, na Vila Sônia. A chácara do jockey é ótima em dia de sol, mas por causa da chuva que caiu no dia do evento estávamos dançando na lama. Tênis e barra da calça ficaram uma sujeira só. O atendimento nos caixas para comprar fichas era lento, devido à preguiça dos atendentes. Um deles chegava a sentar numa cadeira e ficar quieto após atender um cliente e fingia que não havia fila, somente levantava depois que você o chamava. Em consequência, os bares estavam entupidos, menos os dos camarotes. Mal haviam placas indicando onde ficava cada tenda e camarote. Certo, haviam mapas mas faltou o bom senso de em cada mapa colocar um sinal indicando "você está aqui". E somente são esses os defeitos que me incomodaram.

O som maravilhoso, espetacular, incrível que estava rolando somada à vibe dos amigos transformaram meu Sábado em um momento mágico. Moby, Kaskade, Groove Armada e Fatboy Slim foram um exemplo perfeito do quê é saber devolver a energia para a pista. Foram muito além das minhas expectativas.

Com nomes de peso assim, era compreensível que tendas e camarotes, com exceção do camarote Ultra Vip, ficassem às moscas. Não estou desmerecendo ninguém, mas era claro que todos estavam ali para ouvir algo diferente, viver uma experiência diferente. O lado esquerdo ficou tomado pelo pessoal que já encontramos na noite GLS e ouve muito respeito da galera HT. Não vi brigas, não fiquei sabendo de furtos, somente de todo mundo na mesma onda: diversão.

Uma coisa que me impressionou foi  a educação dos seguranças. Um exemplo foi quando dois seguranças pegaram no flagra dois homens fumando maconha. Um dos seguranças usou das seguintes palavras: "Desculpe, mas é proibido o consumo de drogas aqui". O cara ainda tentou argumentar, dizendo que era uma rave, que todo mundo usava. E o segurança: "Por favor, senão seremos obrigados a te levar ao posto da polícia". O rapaz, contrariado, entregou o cigarro e os seguranças foram embora. Não vi segurança gritando ou intimidando ninguém.

Os banheiros, apesar de serem banheiros químicos, estavam tranquilos. E limpos! Pelo menos os da tenda da The Week, onde havia uma fila, mas a mesma andava bem rápido.

Destaque também para o público. A maior concentração de gente bonita por metro quadrado. Pescoço ficou doendo de tanto virar a cabeça.

Cheguei às quatro horas da tarde aproximadamente e me mandei por volta das uma e meia da manhã. E tinha muito som rolando ainda. Fiquei sabendo que às duas tudo tinha terminado. Mas saí de alma lavada, por ter curtido um som diferente e excepcional. E ainda preciso de um descanso merecido para os pés doloridos e pernas bambas. No UMF, era impossível ficar parado.

A organização possui os direitos de organizar o UMF até 2015. Não sei se irei em todos, mas vontade não falta.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

AS REDES (ANTI-)SOCIAIS

A coisa que eu acho a mais absurda é o pessoal que vive processando Google, Facebook e afins por causa de alguma difamação. Ou achar que o Google deve implementar alguma ferramenta no Orkut para evitar calúnia. FAÇA-ME O FAVOR!!!! É o mesmo que pedir que o programador tire um coelho da cartola, que fique na cor que você quiser e fale cinco idiomas.

Com o surgimento de blogs, deu-se ao usuário comum o poder que somente jornais, emissoras de televisão, rádios e revistas possuíam: o poder de atingir as massas. Os grandes meios de comunicação não sabiam o quê fazer quando viram blogs e mais blogs ganhando, em questão de dias, a credibilidade que eles levaram anos para conseguir. Criticar qualquer um, famoso ou não, tornou-se tão fácil quanto falar ao telefone. Mas nada que se compare com a ascensão das redes sociais.

A falta de tempo das pessoas trouxe o conceito de microblog, como o Twitter. Poder escrever rapidamente o que der na telha e atingir uma grande quantidade de pessoas tornou-se a realização do sonho de muita gente: falar e ser ouvido (ou melhor, postar e ser lido). O Facebook não perdeu tempo e implementou funcionalidade em seus perfis, sendo seguido pelo Orkut (que o fez muito mal e porcamente).

Então o usuário com seu lindo perfil no Orkut/Facebook/Twitter percebeu o poder que tinha em mãos: o de malhar quem ele quisesse. Falar mal, criticar, lançar boatos.  Processos e mais processos passaram a surgir. E o engraçado é que os culpados são sempre as empresas que prestam os serviços, nunca os usuários. Os usuários nunca colocaram informações sensíveis na rede, fotos que ele mesmo não postaria no mural da empresa ou opiniões comprometedoras. Cada um responsável por aquilo que coloca online, ponto final! Se outra pessoa acaba com seus argumentos ou repassa uma foto sua, foi simplesmente por que você o permitiu. Pessoas precisam parar de se fazerem de vítimas e assumir responsabilidade por dados publicados, sejam seus ou de outros.

Um exemplo é uma mulher que processou o Google quando descobriu que uma comunidade foi criada no Orkut acusando-a de caloteira. O juiz entendeu que o Google, responsável pelo Orkut, teria que controlar esse tipo de calúnia dentro de sua rede social. Colocar algum tipo de moderação de comunidades. Isso vai de encontro com a agilidade que as redes sociais demandam, a de escrever um post ou criar uma comunidade e ter imediatamente disponível na Internet. Também vai de encontro ao pensamento da maioria dessas empresas, de que a Internet precisa ser um território livre, onde todos podem se expressar. A responsabilidade é do indivíduo, não da empresa. Cabe ao Google recurso ainda, mas acredito que ele poderia ser mais colaborativo com a Justiça. Vide que, em respeito à privacidade, ele sempre sente-se reticente em divulgar dados de terceiros para a Justiça.

Um exemplo antagônico foi o que aconteceu outro dia, também envolvendo o Google. O candidato ao Senado Netinho de Paula entrou com um processo contra o Google devido a um vídeo postado no YouTube onde o mesmo lembrava à população que o candidato já havia agredido imprensa (no caso, o repórter Vesgo do programa "Pânico na TV") e a ex-esposa, ambos os fatos já conhecidos do grande público. O Google forneceu os dados da pessoa que postou o vídeo, mas não conseguiu isentar-se da culpa. Essa semana, o Google venceu em última instância, visto que os fatos não eram inverídicos.

Daí vem a coisa: será que a caloteira do Mato Grosso não fez por merecer? Não querendo imputar a culpa em ninguém, todos são inocentes perante à Lei até que se prove o contrário. Mas considero um exagero considerar as empresas como responsáveis pelas palavras de outros. Queremos uma Internet livre ou censurada? Repito: pessoas precisam ter bom senso e responsabilidade sobre o que postam na rede, seja sobre elas mesmas ou sobre os outros. Você é aquilo que você posta.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

RELEMBRANDO O PASSADO, MELHORANDO O FUTURO

Relembrando o passado, podemos entender como chegamos até aqui. E também podemos pensar como podemos melhorar nosso futuro.

Quando falo do passado, me refiro a sete anos atrás, quando descobri a noite de São Paulo. Meu primeiro contato foi a Level, antiga casa noturna que reinou por três anos e meu primeiro contato com tudo que constitui a noite paulistana.

Acho que cabe aqui um pequeno descritivo do que era a noite de São Paulo naquela época, pois muitas pessoas que conheço hoje em dia nunca conheceram a Level. Algumas, nunca ouviram falar.

A Level ficava na Av. Marquês de São Vicente, mais certo dizer numa travessa da mesma. Na esquina ficava uma padaria onde o povo costumava comprar bebidas, cigarros, chicletes e por aí vai. Nos arredores da casa você sempre podia pegar um flyer e pagar mais barato, R$ 17 na época de seu fechamento. E todos entravam com flyers. A casa tinha uma maior preocupação em encher a casa do que com o preço da entrada propriamente dito. Só não ganhava o desconto do flyer quem não quisesse, pois os mesmos eram fartamente distribuídos logo na entrada.

O lugar era totalmente fechado. A pista não era grande. The Week, Flexx e Megga possuem pistas bem maiores. Não havia área externa. Os banheiros eram pequenos, mas davam conta do recado. Afinal, a casa não suportava tanta gente, mas por outro lado eram poucas as mulheres e heteros que marcavam presença numa casa GLS em 2003.

A pista, meio arredondada, tomava conta da parte central. De um lado ficava a chapelaria e os caixas, onde você podia comprar fichas para água, cerveja etc. Do lado oposto, ficava o bar, que geralmente era bem tranquilo. Não haviam problemas com o pessoal do bar, pois não havia como eles marcarem valores a mais. E nem problemas com perda de comandas. Por outro lado, isso limitava o lucro da casa.

Um mezanino tomava conta da parte superior da pista. Uma parte dele ficava reservada como camarote VIP. Haviam alguns sofás para os mais cansados e podia-se ver toda a pista, o que auxiliava na procura de alguém. O acesso ao mezanino não era restrito. De um lado do mezanino haviam jogos eletrônicos e, acreditem, algumas pessoas passavam o tempo jogando.

Dançar e paquerar sempre foi o forte do pessoal. A colocação era o secundário. Os seguranças sempre estavam de olho, assim como alguns policiais à paisana. Quem passava mal, era posto para fora da casa, uma vez que a mesma não possuía enfermaria. Raramente ouvia-se falar que alguém foi roubado.

As pessoas interagiam mais. O carão existia, mas não era tanto. O povo estava afim de beijar e sair com alguém para um bom sexo. A azaração corria solta, só não beijava na boca quem não queria. Muita gente bonita por todos os lados.

Durante a noite haviam algumas intervenções. A música parava e começava um show de drag queens, que dublavam algum sucesso do momento. Logicamente, isso quebrava totalmente o ritmo da noite. E ninguém gostava muito dos shows. O palco ficava de um lado da pista, enquanto do outro ficava a cabine do DJ. No palco, os gogo-boys faziam sua performance.

O espaço era mais democrático. Sempre haviam os VIPs, mas ninguém se sentia melhor do que ninguém. VIPs nunca davam uma de superiores. As pessoas conversavam mais, faziam-se mais amizades. Travas não arrumavam brigas. Aliás, nunca presenciei uma briga dentro da casa.

O clube simples, porém escuro, demais até. Sufocante às vezes, no verão chegava a ser insuportável. Porém você estava protegido da chuva e lama. As músicas repetiam-se semana após semana, a menos que aparecesse alguma novidade. Um som mais parecido com o da Blue Space, onde o povo todo sabia a letra e cantava durante a jogação. Parecia que os DJs não eram estimulados a se atualizarem. CDs com os maiores hits eram vendidos nos caixas por R$ 10.

Por volta das oito, nove da manhã, o som acabava. O after era no DEdge e sempre estava tranquilo. A maioria das pessoas preferia ir para casa descansar.

E, como todas as casas, a Level teve seus momentos bons e ruins. Assim como toda casa. E é bom relembrar os bons momentos, sejam os da semana passada, do ano passado, ou de anos atrás.