segunda-feira, 8 de novembro de 2010

FOI MAIS DO QUE ULTRA

NUNCA, EU DISSE NUNCA, CLUBE NOTURNO OU LABEL PARTY CONSEGUIU FAZER UMA FESTA QUE SEQUER CHEGASSE AOS PÉS DO UMF.

Eu precisa começar assim, com o caps lock ligado, pois é algo a se ressaltar. O Ultra Music Festival, mais conhecido como UMF, foi uma das melhores festas de música eletrônica que já fui. Talvez tenha sido a melhor. Sim, houveram erros, mas nada que se compare com a vibe e qualidade de som que presenciei. Algo tão memorável ajuda a apagar qualquer grande problema tenha ocorrido.

Muitos podem reclamar dos defeitos. O local é longe, na Vila Sônia. A chácara do jockey é ótima em dia de sol, mas por causa da chuva que caiu no dia do evento estávamos dançando na lama. Tênis e barra da calça ficaram uma sujeira só. O atendimento nos caixas para comprar fichas era lento, devido à preguiça dos atendentes. Um deles chegava a sentar numa cadeira e ficar quieto após atender um cliente e fingia que não havia fila, somente levantava depois que você o chamava. Em consequência, os bares estavam entupidos, menos os dos camarotes. Mal haviam placas indicando onde ficava cada tenda e camarote. Certo, haviam mapas mas faltou o bom senso de em cada mapa colocar um sinal indicando "você está aqui". E somente são esses os defeitos que me incomodaram.

O som maravilhoso, espetacular, incrível que estava rolando somada à vibe dos amigos transformaram meu Sábado em um momento mágico. Moby, Kaskade, Groove Armada e Fatboy Slim foram um exemplo perfeito do quê é saber devolver a energia para a pista. Foram muito além das minhas expectativas.

Com nomes de peso assim, era compreensível que tendas e camarotes, com exceção do camarote Ultra Vip, ficassem às moscas. Não estou desmerecendo ninguém, mas era claro que todos estavam ali para ouvir algo diferente, viver uma experiência diferente. O lado esquerdo ficou tomado pelo pessoal que já encontramos na noite GLS e ouve muito respeito da galera HT. Não vi brigas, não fiquei sabendo de furtos, somente de todo mundo na mesma onda: diversão.

Uma coisa que me impressionou foi  a educação dos seguranças. Um exemplo foi quando dois seguranças pegaram no flagra dois homens fumando maconha. Um dos seguranças usou das seguintes palavras: "Desculpe, mas é proibido o consumo de drogas aqui". O cara ainda tentou argumentar, dizendo que era uma rave, que todo mundo usava. E o segurança: "Por favor, senão seremos obrigados a te levar ao posto da polícia". O rapaz, contrariado, entregou o cigarro e os seguranças foram embora. Não vi segurança gritando ou intimidando ninguém.

Os banheiros, apesar de serem banheiros químicos, estavam tranquilos. E limpos! Pelo menos os da tenda da The Week, onde havia uma fila, mas a mesma andava bem rápido.

Destaque também para o público. A maior concentração de gente bonita por metro quadrado. Pescoço ficou doendo de tanto virar a cabeça.

Cheguei às quatro horas da tarde aproximadamente e me mandei por volta das uma e meia da manhã. E tinha muito som rolando ainda. Fiquei sabendo que às duas tudo tinha terminado. Mas saí de alma lavada, por ter curtido um som diferente e excepcional. E ainda preciso de um descanso merecido para os pés doloridos e pernas bambas. No UMF, era impossível ficar parado.

A organização possui os direitos de organizar o UMF até 2015. Não sei se irei em todos, mas vontade não falta.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

AS REDES (ANTI-)SOCIAIS

A coisa que eu acho a mais absurda é o pessoal que vive processando Google, Facebook e afins por causa de alguma difamação. Ou achar que o Google deve implementar alguma ferramenta no Orkut para evitar calúnia. FAÇA-ME O FAVOR!!!! É o mesmo que pedir que o programador tire um coelho da cartola, que fique na cor que você quiser e fale cinco idiomas.

Com o surgimento de blogs, deu-se ao usuário comum o poder que somente jornais, emissoras de televisão, rádios e revistas possuíam: o poder de atingir as massas. Os grandes meios de comunicação não sabiam o quê fazer quando viram blogs e mais blogs ganhando, em questão de dias, a credibilidade que eles levaram anos para conseguir. Criticar qualquer um, famoso ou não, tornou-se tão fácil quanto falar ao telefone. Mas nada que se compare com a ascensão das redes sociais.

A falta de tempo das pessoas trouxe o conceito de microblog, como o Twitter. Poder escrever rapidamente o que der na telha e atingir uma grande quantidade de pessoas tornou-se a realização do sonho de muita gente: falar e ser ouvido (ou melhor, postar e ser lido). O Facebook não perdeu tempo e implementou funcionalidade em seus perfis, sendo seguido pelo Orkut (que o fez muito mal e porcamente).

Então o usuário com seu lindo perfil no Orkut/Facebook/Twitter percebeu o poder que tinha em mãos: o de malhar quem ele quisesse. Falar mal, criticar, lançar boatos.  Processos e mais processos passaram a surgir. E o engraçado é que os culpados são sempre as empresas que prestam os serviços, nunca os usuários. Os usuários nunca colocaram informações sensíveis na rede, fotos que ele mesmo não postaria no mural da empresa ou opiniões comprometedoras. Cada um responsável por aquilo que coloca online, ponto final! Se outra pessoa acaba com seus argumentos ou repassa uma foto sua, foi simplesmente por que você o permitiu. Pessoas precisam parar de se fazerem de vítimas e assumir responsabilidade por dados publicados, sejam seus ou de outros.

Um exemplo é uma mulher que processou o Google quando descobriu que uma comunidade foi criada no Orkut acusando-a de caloteira. O juiz entendeu que o Google, responsável pelo Orkut, teria que controlar esse tipo de calúnia dentro de sua rede social. Colocar algum tipo de moderação de comunidades. Isso vai de encontro com a agilidade que as redes sociais demandam, a de escrever um post ou criar uma comunidade e ter imediatamente disponível na Internet. Também vai de encontro ao pensamento da maioria dessas empresas, de que a Internet precisa ser um território livre, onde todos podem se expressar. A responsabilidade é do indivíduo, não da empresa. Cabe ao Google recurso ainda, mas acredito que ele poderia ser mais colaborativo com a Justiça. Vide que, em respeito à privacidade, ele sempre sente-se reticente em divulgar dados de terceiros para a Justiça.

Um exemplo antagônico foi o que aconteceu outro dia, também envolvendo o Google. O candidato ao Senado Netinho de Paula entrou com um processo contra o Google devido a um vídeo postado no YouTube onde o mesmo lembrava à população que o candidato já havia agredido imprensa (no caso, o repórter Vesgo do programa "Pânico na TV") e a ex-esposa, ambos os fatos já conhecidos do grande público. O Google forneceu os dados da pessoa que postou o vídeo, mas não conseguiu isentar-se da culpa. Essa semana, o Google venceu em última instância, visto que os fatos não eram inverídicos.

Daí vem a coisa: será que a caloteira do Mato Grosso não fez por merecer? Não querendo imputar a culpa em ninguém, todos são inocentes perante à Lei até que se prove o contrário. Mas considero um exagero considerar as empresas como responsáveis pelas palavras de outros. Queremos uma Internet livre ou censurada? Repito: pessoas precisam ter bom senso e responsabilidade sobre o que postam na rede, seja sobre elas mesmas ou sobre os outros. Você é aquilo que você posta.