Vou iniciar esse post onde, após o final dele, muitos podem me taxar de preconceituoso. Antes, gostaria de dizer que todos nós somos preconceituosos, somos "politicamente incorretos", mas temos temor em demonstrá-lo com receio de como seremos vistos pela sociedade. Talvez a questão nem seja ser preconceituoso, acho que preconceito depende da situação, do contexto. Acho melhor expor os fatos, expor minhas idéias e sintam-se à vontade para concordar, discordar e até me xingar e eu, como dono desse blog, sinto-me no direito de aceitar, discordar e, logicamente, não aprovar xingamentos e revidar os mesmos em off.
Saí neste final de semana com o namorado e amigos para a balada. O destino é o mesmo lugar que de costume, casa noturna frequentada pelas barbies e as denominadas "finas, ricas e herdeiras". A casa tem seus preços, alguns julgam de bom tamanho, outros um pouquinho salgado. A maioria diz que o preço ajuda a selecionar a clientela, fator determinante para o sucesso de uma casa.
Mas então, havia a promoção de uma revista. Você comprava a revista e ganhava de brinde um ingresso VIP para a boate, considerada umas das TOP 5 da América Latina segundo matéria do "Discovery Channel". Por cerca de R$ 13, tal espaço tornou-se acessível para pessoas menos privilegiadas. É um ato louvável? Sim, pois o chamado "povão", termo usado para rotular o conjunto de pessoas com menor renda, podia ter acesso a um universo considerado por eles como sendo "high-society". Isso eleva as pessoas, é um modo de inclusão social, de diminuir a discriminação e unir as tribos.
Mas isso só funciona na teoria. Na prática, serve somente para destacar que é preciso haver uma separação de classes. Não é possível misturar nobres e plebeus. Os plebeus não se incomodam, mas os nobres, que são os que mais gastam e assim determinam o sucesso ou o fracasso desse tipo de estabelecimento comercial, sentem-se incomodados com a presença dos menos favorecidos.
Em alguns momentos, senti-me incomodado. Todo mundo gosta de estar no meio de gente bonita. As pessoas com menos recursos se cuidam sim, mas a maioria, talvez por motivo de criação, é desleixada. FATO! Não possuem um nível estético apurado. Ok, eles fazem o que podem, mas a falta de recursos parece atrelar um menor senso estético à baixa renda. Os comentários que tenho mais ouvido é que, nas últimas noites, o local "estava cheio de gente feia". Estar no meio de pessoas bonitas eleva a moral de qualquer pessoa, mesmo ela não sendo da mesma estirpe.
O melhor modo de classificar o último final de semana seria "festa estranha com gente esquisita", como na letra de "Eduardo e Mônica" da Legião Urbana. E em termo de "gente esquisita" entendam-se pessoas que se portam de maneira esquisita, de maneira que você não está acostumado a conviver. Como, por exemplo, pessoas que te olham de cima a baixo, como se nunca tivessem visto um homem na vida. Ou soltam cantadas ridículas, provocativas, baixas. Isso quando já não chegam diretamente passando a mão ou se esfregando. Sejam francos, diante de uma pessoa interessante, que você queira conquistar, você passaria uma cantada xumbrega ou chegaria passando a mão? Você tentaria um contato visual ou olharia de cima a baixo, lambendo os lábios com lascívia? FAÇA-ME O FAVOR!!!
Outro quesito é a educação. Boa educação é fundamental. Mesmo um pouco "altos", é premente um pouco de bom senso e equilíbrio. Ser empurrado, ter o pé pisado em casa cheia é uma coisa, em casa vazia é inaceitável. Gente que grita no teu ouvido por estar deslumbrado em poder estar dançando na casa do momento pela primeira vez na vida é de deixar qualquer um bem irritado.
Por isso existe essa divisão de classes na vida. Não dá para a Classe D e E frequentar o Fasano. Logicamente, eles gostariam, pois é um lugar "chique", agraciaria o ego deles. Já os costumeiros frequentadores diriam que o nível do local caiu e passariam a considerar alternativas para o jantar. O quê a seleção natural não consegue realizar, a seleção social trata de cuidar.
A divisão de classes é fundamental. Essa separação existe pela falta de acesso à educação. Um segundo grau é essencial. Um curso universitário transforma o modo de uma pessoa pensar. Creio que ninguém discute cinema francês com o porteiro do prédio ou o manobrista do estacionamento. O motivo é que a educação cria abismos muitas vezes intransponíveis. A comunicação fica difícil. A convivência, mais ainda.
Por isso para cada classe existe um nicho. A classe alta vai ao Fasano, a média ao McDonalds e a baixa no boteco do Seu Joaquim. O mesmo prevalece na noite. Promover a inclusão dessas pessoas de poucos recursos através da promoção de uma revista pode ser bonito por um lado, mas é um tiro no pé do outro. As tribos NÃO SE MISTURAM!!! E os assíduos frequentadores, provenientes de uma classe mais abastada e melhor nível educacional, aqueles que costumam gastar mais, vão procurar outros lugares para se divertir ou ficar em casa. E quanto mais frequente esse tipo de promoção, mais a fiel clientela vai sentir seu espaço invadido e mais alternativas ela irá procurar. E todos sabem que, quanto maior essa procura por alternativas, maior o risco dos hábitos mudarem.
A tal promoção pode ser boa pelo lado lucrativo, mas é péssima para imagem da casa. Construir uma imagem leva anos, queimar a mesma é questão de dias.
Agora muitos devem pensar que sou preconceituoso. O fato é que não sou melhor que ninguém, mas procuro estar entre pessoas de mesmo nível ou de nível mais alto ainda, para meu aprimoramento pessoal. Sei muito bem qual o meu lugar e busco sempre aprimorar-me. O público mais simples tende a taxar os mais refinados de "frescos". Ou seja, ser seletivo mudou de nome.
O caso é: cada um no seu quadrado. Já devia ter aprendido a algum tempo atrás que tais promoções são sinônimos da presença de povão, normalmente estranho e mal-educado. E por esse motivo, sei que não vou sentir-me à vontade. Já tive minha época em que era um jequinha vindo do interior de São Paulo, deslumbrado com a noite. Soube ouvir de amigos dicas sobre como me portar, vestir, cuidar da aparência. Entretanto, tal povão é arredio a críticas. Quer ser compreendido, mas é justamente por causa dessa compreensão que não existe mistura.
Agora, pergunto: não querer que o povão tenha acesso ao ambiente seletivo que frequento é preconceito? Devo sentir-me mal por isso? Devo relevar ser paquerado de forma xula por quem não considero atraente, relevar a má educação generalizada? Devo procurar outros ambientes com um público com o qual eu me identifique mais?
Sinceramente, ainda acho que até um nível de qualidade na seleção da clientela deve ser mantido. E se deveria sentir-me mal por pensar assim, desculpem, mas eu não sinto.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
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